sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Voz do silêncio

'Tá tudo escuro,
E o silêncio ecoa,
Neste nada perduro,
E o tempo voa,
As paredes apertam,
E martelo o pensamento,
Meus olhos despertam,
E vêem o nada que ostento,
'Tou só mesmo acompanhado,
Nu apesar de vestido,
Sou timidez do desavergonhado,
Ficando no canto esquecido,
É isso que escuto,
Quando o mundo se cala,
Um berro bruto,
Que em meus ouvidos estala,
Porque ouço esta voz?
Serei mesmo assim,
Sou individuo tão atroz,
Que odeiem tar perto de mim?

NÃO! Claro que não,
Sai desgraça pensamento,
Que quebras o coração,
Procuras meu tormento,
E até me enlouqueces,
Odeio ficar só,
Pois só aí apareces,
Tornas meu cérebro em pó,
Com tuas mentiras,
Oh voz do silêncio,
A vitalidade me tiras,
A cada vez que presencio,
Os berros que soltas,
Paranóias em que cismo,
A minha sanidade escoltas,
Para o mais profundo abismo.

Agora pouso o pé,
Bato com ele no chão,
Vou ver tudo como é,
Abraço a sensação,
De vos ter a meu lado,
Quem me traz alegria,
A quem agradeço calado,
Que fazem com que sorria,
Calemos esta voz,
Triste voz do silêncio,
A felicidade é pra nós,
Pois a todos anuncio,
De ninguém posso esquecer,
Acordando toda cidade,
Gritar e fazer-vos ver,
Que nos pertence a felicidade!!!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Revolta aos sentimentos

Em vis palavras te escrevo,
Oh por este odioso sofrimento,
De ruim forma te descrevo,
Culpada do meu desalento,
Te confesso que te odeio,
Por não deixar de te querer,
Por sentir o que não planeio,
Por me deixar sofrer,
Por não conseguir controlar,
Pela forma como me envolvo,
Nesta crueldade que me faz desabar,
Pois teu problemas não resolvo,
Oh tu que trazes o fim,
Que me pontapeias até a saída,
De algo que acaba assim,
Sem ter ponto de partida,
Sem realmente iniciar,
Trazendo à lembrança,
Que não permitiste partilhar,
Arruinando toda esperança,
De te mostrar tão belo sentir,
Que sendo mudo pode gritar,
Que sem palavras se faz exprimir,
E faz meu coração lacrimejar.

Sinto-me tão impuro,
Eu que era casto e sereno,
Sentindo algo tão duro,
De quem atingiu em pleno,
O rochedo onde foi aterrar,
Partindo os ossos da alma,
Numa queda que não pude evitar,
Depois desta escalada calma,
A um cume que julguei alcançar,
E agora de todos temo-me a mim,
Pelas formas que te pensei abraçar,
Por te bordar com lirios e alecrim,
A ti que não mereces,
Nem sequer a consideração,
Que no meu coração pereces,
Agora que perdeste o condão,
Pela chama que extinguiu,
Por seres a sensação,
Deste meu sonho que partiu,
Que se chegou a materializar,
Numa realidade que não voltou,
E após me martirizar,
Sintam o gemido que se soltou,
Mas não usem os ouvidos,
Pois este devoto seguidor,
De romances há muito perdidos,
Berrou em seu esplendor,
Directamente ao coração,
Em suas lágrimas implorou,
Volta cruel mas amada paixão,
Sem sentimentos não sei quem sou...

domingo, 18 de novembro de 2007

Quem espera

Quem espera,
Por ventura alcança,
Porém também desespera,
Alimentando a esperança,
Correndo risco de cair,
Nunca mais se levantar,
Sem perder o sorrir,
Sem nunca desanimar...

Quem espera,
Tem fogo no olhar,
Pois sua mente reitera,
o que ele quer vislumbrar,
Ou quer apenas ouvir,
Sentir a verdade aproximar,
Sem saber o que sentir,
Mas com o coração a latejar...

Quem espera,
Tem espírito de luta,
Procura sua quimera,
E a sua dor oculta,
Transparecendo horror,
No gotejar de paixão,
Que a cada tremor,
Se esvai do coração...

Quem espera,
Por vezes é feliz,
No Inverno vê Primavera,
Na urtiga uma flor de lis,
Tem a felicidade ao seu alcance,
Congratula-se com o seu fim,
Permite que se realce,
Que só quem gosta espera assim...

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

2 de Novembro

Hoje é mais um dia,
Talvez pra vós não pra mim,
Tudo que queria,
Era sentir-me sempre assim,
Apetece-me pinchar,
Mergulhar num chafariz,
Sair de lá a pingar,
Anunciar o quanto sou feliz,
Senti-lo em mim,
Absorver o sentimento,
Sentir algo assim,
Apenas por um momento,
Causar a inveja,
De quem quer e não pode,
Por esta sensação rasteja,
Perante meus berros explode,
E é nessa hora,
Que partilhas comigo,
Que tudo se comemora,
Em que sonhos persigo,
Que o mundo pára por nós,
Deixa-me sentir teu toque,
Deixa-me ouvir tua voz,
Que o desejo nos convoque,
Aliado do sentimento,
Inimigo da minha sanidade,
Segurando tuas mãos um momento,
Beijando-te em liberdade,
É de facto só mais um dia,
Pra vós não pra mim,
Pois este estado de alegria,
Não aparece assim,
Falem com o meu calendário,
Ele sabe o porquê,
Não é o meu aniversário,
Mas aplicava-se o "parabéns a você",
Remeto-me agora ao silêncio,
Já chega de falar,
Fechar os olhos Vai ser intenso,
O resto do dia é sonhar.