terça-feira, 25 de março de 2008

Transições

À sombra dum luar,
Vejo-me pensar,
Sinto-me a perder,
E deixo-me estar,
Ouço as cores,
Cheiro os ruídos,
Vejo os sabores,
Dos perfumes saboreados,
Tudo é perfeito,
Nesta imperfeição,
Neste mundo me deito,
E deixo parar o coração...

O coração fica mudo,
Ensurdece a emoção,
O sentir perdeu tudo,
Aprisionei a sensação,
Não posso viver assim,
Isto não é viver,
Tu és parte de mim,
E por ti gosto de sofrer,
Fazes-me sentir vivo,
Faz-me então sentir coragem,
Acorda o pulsar perdido,
Deste coração em paragem...

Instala-se a loucura,
Sentimentos misturam-se,
O ar transporta alegria,
As lágrimas afundam-se,
Berros na calada fantasia,
Acordam a loucura,
Dão asas a outra energia,
No sangue se mistura,
Pensar em ti é a loucura,
Estar contigo é o berro,
Provocas luxúria e ternura,
Agora que já não sou ferro...

A medida que sinto,
Que um coração bate,
Que novo mundo pinto,
E a tristeza parte,
Sou algo novo,
Melhorei certamente,
Parti a casca ao ovo,
E tu alimentaste a semente,
Agora como planta despontei,
Tu serás minhas flores,
Polinizemos felicidade,
Espalhemos nossas cores...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Corredor

Sigo a passo,
Este corredor,
Feito a belo traço,
Cada porta uma côr,
E com voz doce,
Numa prosa apelativa,
Pedem que fosse,
A uma realidade alternativa,

Assemelha-se a uma avendia,
Plena em comércio,
Com publicidade colorida,
Apelando ao desperdício,
Toldando a razão,
Mentindo em cinismo,
Culminando na sensação,
De tar a um passo do abismo...

Mas nem tudo é assim,
Há o pequeno comércio,
Que não tem como fim,
Apelar apenas ao vicio,
Representado em portas rudes,
De acesso complicado,
As mais belas virtudes,
Num corredor mal-amado...

Há cada vez número menor,
Destas portas virtuosas,
Prenunciando o pior,
Mostrando que não há mar de rosas,
Para a praia da vida,
Deixando apenas desejar,
Que a alma não fique perdida,
No corredor que existe ao sonhar...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Caminhos do coração

A noite respira,
Um ar sereno,
Meu coração suspira,
Por não ser pleno,
És algo que falta,
Preencherias o vazio,
Do coração que se exalta,
Pela falta de desafio...

Por apenas não palpitar,
Por sincera solidão,
Por ninguém o acompanhar,
Num impossível missão,
Que irá completar,
Quando tiver companhia,
Quando o ritmo aumentar,
Quando se fizer magia...

Preenchido por ilusionistas,
Não pode permitir,
Ser preenchido por artistas,
Que não se fazem sentir,
Não é isso que procura,
Fazendo apenas notar,
Que nesta rua escura,
Essas luzes não o vão guiar.

Pois corrido o caminho,
Candeeiros vão falhar,
Nunca o fará sozinho,
Haverá amigos a acompanhar,
E quando a luz aparecer,
Vai sentir a sensação,
E acabará por se perder,
Acompanhado por outro coração...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Lágrimas

Ai esses cristais,
Percorrem teu rosto,
Entristecem os demais,
Espalham desgosto,
Não deves chorar,
Embora mesmo chorando,
És capaz de apaixonar,
Apenas olhando...

Ai esse brilho,
De olhos vidrados,
Revelam os negros trilhos,
De corações apaixonados,
Não deves chorar,
Abraça-te a mim,
A vida vamos pintar,
Com apaixonante carmesim...

Ai esses aguaceiros,
No deserto dos insensiveis,
São tiros certeiros,
Nas acções despreziveis,
Que não devem existir,
Que tomo sem querer tomar,
Querendo ver-te sorrir,
Faço-te chorar...

Ai esse lacrimejar,
Seja por felicidade,
Ou por extremo pesar,
É tua identidade,
Como tu és a minha,
Porque me sinto assim,
Como quem definha,
Na vontade de ter pra mim?

Ai esse momento,
Será mágico,
Secar o tormento,
Em movimento único,
O fim da tristeza,
Quando eu te beijar,
Sentiremos a frieza,
Que causa o quente amar...

Ai esse nós,
O chegar de momentos,
Que estando a sós,
Olhares expressam sentimentos,
Toques geram sensações,
Caricias criam necessidades,
Momentos trazem emoções,
Que despertam curiosidades...

Ai essa curiosidade,
Que mói o pensamento,
Que na intimidade,
São instinto do momento,
Instinto que me faz beijar,
Que me faz te abraçar,
Que faz as tuas lágrimas parar,
Quando segredo:"nunca te vou deixar..."

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Sorrisos, Olhares e Pesar...

Quando nuvens cobriram o céu,
Tu foste o raio,
Irrompeste naquele bréu,
Com teu olhar de soslaio,
Sorriste com o olhar,
Despertando-me o coração,
Não sabia te chamar,
Nem resistir à tentação,
Tudo parece errado,
Quando o nosso olhar cruza,
E tu olhar pra outro lado,
Como quem recusa...

Porque me sinto assim,
Se não fazes ideia,
Do que isso desperta em mim,
Do fogo que ateia,
Já não sei reagir,
Não consigo pensar,
O que fazes sentir,
É dificil negar,
Que em cada olhar,
Cada sorriso,
Me fazes despertar,
P'ra perda de juízo...

Sem saber que dizer,
Que palavras usar,
Resta-me apenas esquecer,
Apenas deixar passar,
Ideias que me percorrem,
Fantasias que invadem,
Lágrimas que escorrem,
Sentimentos que se perdem,
Faz-me te encontrar,
No entanto te perdendo,
Faz-me lembrar,
Enquanto vou esquecendo...

Esse belo sorriso,
Esse terno olhar,
Que me faz ver-te partir,
Sorrindo apetecendo-me chorar...

domingo, 13 de janeiro de 2008

Ruelas

Perdi minha integridade,
Enquanto te vivia,
Nas ruelas da cidade,
Minha vida escorria,
Sonhos por ti arranhados,
Recordo com amargura,
E deuses esperançados,
Me dão sua ternura.

Oh tristes ruelas
Que me levam,
Dentro delas...
Oh tristes ruelas
Que o destino selam,
Em todas pisadelas,
No trilho de açucenas,
Onde passeio minhas penas...

Ruelas sem sentido,
Que representam a vida,
Onde estou perdido,
Em que entro de investida,
Carregando o destino,
Que em ruelas esquivo,
Sangrando a voz,
São sonhos que não vivo,
E em sonho alcanço nós...

Em ti rezou história,
Sobre ti caminho,
Ruelas de memória,
Onde me definho,
Onde fujo à realidade,
Que alegram e fazem sofrer,
Lindas ruelas da cidade,
Onde adoro me perder...